terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Sem porto

Delirando, faço um verso
Recebo mensagens cifradas
De todos os lados do mundo
Tenho as mãos cheias de feridas
E me acoça um medo insano de morrer

Faz muito tempo que estou só
Se o constato (ou o confesso): não sei
Estou só como um general infante,
De cinco anos,
Que se perdeu da tropa,
Mas ninguém lhe ensinou a chorar

Tenho pressa
Mas sou como um navio expatriado:
Sem porto

Acompanho com aguda atenção todas as notícias –
Guerra no Panamá, hecatombe em Marrocos, incêndio na Amazônia –
Se eu estivesse lá...
Amanhã terei esquecido tudo
Guerra em Marrocos
Hecatombe na Amazônia
Incêndio no Panamá
Já passou

Tenho muita pressa!
-- Por favor, quando acaba
 -- O filme?
 -- Não, a vida.