domingo, 27 de fevereiro de 2011

Amor Assim

Meu amor nasceu prematuro.
Tanto que se cogitou não resistisse ao parto
Ou vivesse, por acréscimo, uns diazinhos magros

Conheceu primeiras necessidades,
Prazeres do princípio,
Dores de nascer dentes
(E de perder o siso)
Quase ficou por lá

Meu amor soube das rebeldias do corpo e da alma
Perdeu-se, quase, de amores por si-mesmo
Naufragou no Mar Morto de tédio
Pisou descalço em terra firme
Que era só pedregulho

Meu amor sofreu saudade,
E gargalhou volúpia,
E bebeu, na taça absconsa,
Quando vinha,
Vinho de vermelha (e suculenta) uva

Meu amor costurou rancores
Ensaiou conduta típica
(Crime passional)
Planejou atentados
Kamikaze comida pra ninguém

Meu amor rosnou indiferença
Esquece, passa, tempo!
Amor embora, ir-se indo,
Dessa vez não deu.

“E assim, quando mais tarde me procure”

Meu amor divisou “amor a esmo”
Muito mais do mesmo
Que nem Prometeu

Meu amor sabe agora uma ternura
Uma alegria pura
De aprender continha de somar

Meu amor quer brisa, nave
Neve, coca-cola
E até um vulcãozinho
Que é pra incendiar

Meu amor é cantando na chuva
Jogo de boliche
Missa, carnaval

Meu amor brinca de esconde-
Esconde roupa
(-- Brincadeira boba!)
Vai brincar mais não?

Meu amor vontade ver bichinhos
Coelhinhos,
Patos,
Pica-paus,
Neném.

Meu amor, vem brincar de casinha
Bricabraques na sala,
Cocô no escritório,
Boletim da Bia
Conta pra pagar

Meu amor, pra sempre
Agora mesmo
Que é tempo de sobra
Que o tempo não sobra
E o infinito é ali

Meu amor, bailarina
Princesa, espelhos espalhados
Cama com dossel
Prefere luz acesa?
Eu te amo
Assim assim

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