terça-feira, 19 de outubro de 2010

ROTEIRO

Horas de encantamento e contemplação
Eu, metódico e inconseqüente como um cineasta,
Quis saber o que faria daquilo depois

Ela, lúcida e incoerente como as atrizes de outrora,
Puxou-me pelo braço e me disse (em segredo): -- Sempre haverá depois.
E conduziu a cena

Me deu pistas,
me deu asas,
me deu bonde...

E para recompor o desejo,
Repô-lo em lugar fora do alcance,

Deu-me um abraço em que o corpo era tanto,
A alma era toda,
Mas ambos impossíveis
(Eu soube sem nem precisar haver depois)

“E passou o tempo e o vento levou”

Resta-me na alma um perfume para sempre fixado,
A memória de um rosto, leve e diminuto, na minha mão esquerda,
E lapsos do corpo -- um seio num relance

Resta a delicadeza de uma bailarina,
A sedução de uma noviça gueixa,
E uma dignidade de rainha

E resta um encantamento novo e dissoluto
E uma esperança tão ingênua e deslocada
Como supor final feliz no cinema europeu.

(AA)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Taiguara

Taiguara evoca minha utopia particular. Em pleno 1995, com 13, 14 anos, eu ouvia aquela música melancólica, com letras engajadas, líricas, simples, belas.
Anacrônico. Foi como me definiu um amigo por eu gostar de Taiguara. Ele também gostava. Mas tinha 30 anos, não 13.
"Hoje" ´´é a música postada aqui. Ao vivo, do teatro João Caetano.
Hoje, Taiguara soa anacrônico. Mas pertence a um Brasil delicado que deve existir em algum lugar, ainda que em lugar nenhum.