sábado, 11 de setembro de 2010

À Rapariga dos Olhos Ansiosos

Vamos, rapariga,
Sigamos juntos.

Corações inquietos,
Sonhos ligeiramente despedaçados.
Sigamos juntos.

Desconfiamos da esperança,
Sabemos violentamente que o amor não se resolve
Mas cremos tanto naquele pássaro que talvez ele finja um milagre

Então poderemos remendar o amor
E empalhar a esperança
E até exibir alguns sonhos, desde que viáveis

Mas sigamos juntos.
De mãos dadas, apenas
Não mais que isso

Que a carne macerando a carne
(Sofregamente o sabemos!)
às vezes decompõe a paisagem,
Quando não desfaz o mundo

Sigamos juntos, rapariga.
Bosque afora.
Dizem que há uma cidade a se construir
E é por lá que nos perderemos.

(AA)

Nenhum comentário:

Postar um comentário