terça-feira, 10 de agosto de 2010

Uma Grande, Doce Voz

Pra mim a Bossa Nova (com maiúscula e tudo) foi um dos grandes acontecimentos da humanidade. E seus membros de ouvidos mais atentos parecem concordar com isso, porque o violão de João Gilberto, a música de Tom e as letras de Vinicius ecoam discretamente até em novela das 8. Dia desses me caiu à mão um verdadeiro inventário do surgimento da Bossa Nova: o livro "Chega de Saudade", de Ruy Castro, o biógrafo de Nelson Rodrigues.
Tenho um fascínio por figuras marginais de grandes movimentos, sobretudo se mulheres. Isso ajuda a explicar por que, durante a leitura, fui me encantando por uma tal Sylvia Telles. Sim, eu já ouvira falar de "Sylvinha" Telles, mas não fazia a menor ideia de seu tamanho. A moça namorou João Gilberto quando o baiano nem pensava em inventar o gênero dissonante. Casou e descasou (não com João nem com a Bossa), cantou e viveu desbragadamente apenas 36 anos. Fui atrás da moça.
Se a Bossa Nova é marcada por "vozes pequenas", como a de Nara Leão ou a do próprio João Gilberto, ou Sylvinha não marcou a Bossa ou a Bossa não marcou Sylvia Telles. Sua voz tem o inconfundível sotaque das cantoras de bolero, mas é temperada por uma doçura só aprendida na... Bossa Nova.
Sim, com sua grande voz, Sylvinha Telles marcou a Bossa Nova. E sua grande voz foi docemente marcada pelo compasso dissonante de João Gilberto.

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