quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Esperando

Meu amigo tem umas esperanças esquisitas
(De que eu, por exemplo, por milagre, enxergue)

Talvez por isso inventou uma mulher
Que eu espero e virá,
com a gravidade de quem leu uma tragédia
Mas com o viço das namoradas de colégio

Virá dividir melancolia
(Só terei meia tristeza!)

E abrir-me nossos sorrisos espantados da alegria
E me dar umas madrugadas solenes, aliás, todas
E até umas aulinhas de finanças e cosmética

Ah! E inventar-me uns esportes radicais
(Escaladas, escaladas)
E umas crianças bem moderadinhas
Com plano de saúde, colônia de férias e duas avós

Há-de me persuadir, não repetir-se
Há-de me deixar, sem abandono

A mulher que meu amigo diz que eu espero
(Acho que passou por mim um dia desses)

(AA)

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